A Importância do Guia de Turismo

O Guia de Turismo é, sem sombra de dúvida, o profissional que mais entende de um destino turístico, principalmente se ele for especializado naquele atrativo, que pode ser uma cidade ou região. Para quem não conhece, e ainda compara o guia de turismo com um “flanelinha”, que serviria apenas para indicar o caminho, não sabe o equívoco que comete e o que está perdendo.

Mas o quê é que tanto precisa saber um guia? Qual sua importância? E porque uma pessoa sem formação não pode ser guia? Muitos indagam, até mesmo pessoas ligadas ao turismo, como empresários e gestores públicos, e não sabem o valor do guia, nem o porquê que uma pessoa qualquer não poder guiar. Resumem o trabalho do guia a indicar o caminho. Indicar o caminho é das menores preocupações do guia. Ora, para isso um mapa resolve e hoje muitos celulares vem com GPS. Saber o caminho é o de menos.

É exigido do guia de turismo conhecimentos, habilidades e experiências profundas sobre o turismo em geral; a legislação pertinente; as normas e valores dos atrativos; análise de perfil sociocultural dos turistas, para melhor adequação custo-benefício e satisfação produto-cliente; resolução de conflitos e problemas; primeiros socorros; cartografia e orientação espacial; procedimentos de bordo; informações técnicas e aplicadas sobre geografia, economia, arte, cultura, história, religiosidade, indicadores sociais, meio ambiente, folclore e especificidades regionais; entre outras não menos importantes como segurança e prevenção de acidentes.

O guia de turismo faz a figura do cicerone, o porta-voz do destino, ele assiste o turista em suas necessidades, expectativas e contratempos; ele sabe enaltecer as qualidades do atrativo; sabe selecionar os temas de acordo com as expectativas do turista; sabe mostrar detalhes que passariam desapercebidos mas que, no entanto, são características típicas e únicas da região; sabe minimizar conflitos e esclarecer desagrados que à primeira vista seriam negativos, como, por exemplo, a violência em uma cidade, O guia guarda consigo um cabedal de conhecimentos históricos, ambientais e culturais que o faz valorizar e defender ardorosamente como patrimônios da sociedade; ainda mantêm registros, experiências e informações das impressões e críticas do turista sobre todos os serviços do destino, seja público ou privado; é profundo conhecedor dos problemas do “trade”, pois mantém relações com praticamente todos os prestadores de serviços, fazendo com que seja de grande valia em instâncias consultivas e deliberativas da governança local; e também é um grande promotor da economia, uma vez que tem tempo junto ao turista para oferecer toda uma sorte de produtos e serviços, incentivando-o a conhecê-los aumentando assim a contribuição econômica deste com a comunidade.

Resumindo, o guia de turismo se dedica à profissão e estuda. É capaz de dar uma verdadeira aula sobre o local. O guia de turismo não é uma pessoa despreparada, que aproveita o ócio do final de semana para ganhar um troquinho, levando o turista para passear. O poder público permitir que falso guias atuem é, no mínimo, uma injustiça, pois trata-se de uma contravenção penal guiar sem ter cadastro no ministério, e uma desconsideração com tão valiosa classe, que tem as virtudes humanas, como a educação, a gentileza, a humildade, o serviço, o asseio, a ética, a informação e a verdade como premissas profissionais.

A Política Nacional de Turismo, regida pela lei 11.771 de 2008 e regulamentada pelodecreto 7.381 de 2010, classifica os prestadores de serviços turísticos. Entre eles, assim como o guia, os meios de hospedagem, as agências e as transportadoras turísticas são obrigados a terem o cadastro no Ministério do Turismo, o Cadastur. E o ministério, através de portarias, estabelece requisitos e critérios para as atividades. Um guia de excursão nacional ou internacional não pode realizar as atribuições de um guia regional, que seria conduzi-los aos atrativos naquele estado. Cabe ao guia de excursão, nacional ou internacional, acompanhar os turistas nos traslados interestaduais e dar assistência nos procedimentos de bordo, despacho de bagagens e acomodação em meios de hospedagem. Assim como um guia regional não pode conduzir turistas fora de seu estado. Exemplificando, um guia nacional que sai de Brasília e vem ao Rio de Janeiro, não pode ele mesmo visitar e conduzir seus turistas aos atrativos locais, mesmo que conheça. Deve ele ao chegar contratar um Guia Regional do Rio de Janeiro para isso.

Então está aí, para quem não sabia qual a importância de um verdadeiro guia de turismo, a legalidade e o porquê da proteção legal que é dada pelo Estado, fica uma dica: procure sempre um bom guia de turismo, ele lhe fará economizar tempo e lhe assistirá para seu melhor aproveitamento e satisfação, pois sabe que seu minuto de viagem é muito valioso. E não se esqueça, o guia de turismo deve obrigatoriamente portar a credencial validada pelo Ministério d o Turismo. E boa viagem!

Autor da matéria: Mauro Cruz, publicitário e guia de turismo regional Goiás, especializado em Pirenópolis, com 18 anos de experiência em condução local de turistas.

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